Pela nossa correspondente

Dulce Rodrigues

VIALUSO.COM

O Portal da comunidade  Portuguesa

 

Portal

Início

anuários

associativo

cultura

chat’s

internet

lazer

motores

membros

 

Literature

       As plantas nossas amigas

       O Alho

    

 

AS PLANTAS NOSSAS AMIGAS

                                         ...e da nossa saúde

INTRODUÇÃO

 

Ao longo de toda a minha vida, tenho sido uma apaixonada pela Natureza, pela sua grandeza e diversidade em geral, pelas plantas em particular. Talvez porque desde pequena, em casa dos meus pais, tivesse tido a sorte de ter um jardim, a verdade é que nunca consegui viver sem estar rodeada de árvores e flores, por mais pequeno que tivesse sido o bocado de terra que possuia, e apesar das várias vezes que mudei de casa ... e de país!

Por toda a parte existe um bocado de terra à nossa espera, e quer as plantas que cultivamos, quer as que nascem espontaneamente nos campos, quase todas elas nos fornecem uma variada e riquíssima farmacopeia: elas fizeram parte da medicina primitiva, foi o homem que as colheu e experimentou.

 

Desde os tempos mais remotos que o uso das plantas com fins curativos é descrito em tratados de medicina, dos quais o mais antigo é a pequena placa de argila encontrada nas ruínas de Nippur, na antiga Suméria, e que se encontra hoje no University Museum de Filadélfia, nos Estados Unidos. Este documento histórico foi escrito por um médico sumério anónimo, que viveu nos fins do terceiro milénio a.C., e que decidiu legar por escrito aos seus colegas e alunos as suas melhores receitas médicas.

Também os Chineses, os Egípcios, e mais tarde os Gregos, nos legaram os seus escritos sobre as fantásticas propriedades medicinais de certas plantas. No seu famoso tratado Corpus Hippocraticum, descreve Hipócrates - chamado o « pai da medicina » - as enfermidades conhecidas no seu tempo e apresenta, para cada uma delas, o respectivo tratamento com um remédio vegetal. Também Dioscórides, outro grego célébre, descreve no seu tratado De Materia Medica centenas de drogas de origem vegetal. Igualmente o não menos notável Galeno deixa o seu nome ligado à conhecida « farmácia galénica », que preconiza a utilização das plantas ao natural para determinados fins terapêuticos.

Todavia, a medicina natural científica só viria a ser definitivamente estabelecida com Paracelso, teólogo e filósofo suíço do século XV.

Em Portugal, também houve grandes pioneiros da Botânica. É o caso de Avelar Brotero e sobretudo Garcia da Horta. Com o seu tratado Símplices e Drogas da Índia, este último revelou estudos científicos de grande importância, que lhe valeram renome internacional. Mas já cerca de cinquenta anos antes de Garcia da Horta, um minucioso trabalho de descrição de plantas tinha sido apresentado por Tomé Pires, natural de Leiria, que estivera na Índia durante o reinado de D. Manuel I.  

Infelizmente, uma época houve na história da humanidade em que o « obscurantismo » reinou, levando ao declínio no uso das plantas como remédio eficaz contra certas doenças: os princípios activos que estão na base das suas propriedades curativas passaram a ser obtidos sinteticamente pela indústria química. Embora pareça que este facto só nos pode regozijar, a verdade é que, nas plantas, as várias substâncias activas encontram-se num estado físico-químico muito particular, libertam-se progressivamente no organismo e têm a incomparável vantagem de não provocarem os efeitos secundários dos medicamentos sintéticos com as mesmas propriedades.

Segundo dizia o célebre botânico sueco Carl von Linné, considerado o precursor da classificação das plantas com base nas características das suas flores, a flora portuguesa era uma síntese das floras de todo o mundo, o que não é para admirar, visto que a diversidade das condições geográficas, geológicas e climatéricas do nosso país permite o desenvolvimento de espécies vegetais de quase todas as regiões do mundo. Se se soubesse aproveitar o que há de bom no país, Portugal seria o pomar, a horta e o jardim por excelência da Europa, senão do mundo inteiro. Infelizmente, nunca recebemos a educação necessária nesse sentido. Talvez o futuro nos ensine alguma coisa!

Esse seria o meu grande desejo para o terceiro milénio, e também que se realize a fusão da medicina moderna com a medicina tradicional, pelo menos no campo dos meios preventivos: afirmava Paracelso que « a tarefa do médico é estimular a resistência do corpo através de remédios naturais, a fim de que o organismo se cure a si próprio ». Longe de mim a ideia de pretender fazer crer que as plantas medicinais podem substituir os remédios modernos em todas as doenças - estes continuam os únicos remédios para muitas doenças, como a meningite e outras.

A minha satisfação será igualmente tanto maior quanto estes meus artigos possam incentivar mais pessoas a cultivar algumas destas maravilhosas plantas nossas amigas, quer pelo seu perfume, pela beleza da sua folhagem e das suas flores, quer para condimentar os seus cozinhados ou, simplesmente, para gozarem das suas salutares qualidades.

                                                   

                                                                       Dulce Rodrigues

                                                                                              www.dulcerodrigues.info

 

 

 

 

                                   A primeira planta de que vou falar será o « alho », condimento tão apreciado na cozinha portuguesa e na dos países meditarrâneos de um modo geral.

 

 

                                                                                                          Dulce Rodrigues